quinta-feira, 24 de abril de 2014

Dilma Rousseff e a Língua Portuguesa

A frase final de um dos discursos de Dilma

          Ontem, a presidenta Dilma, em evento político no Rio Grande do Sul, fez um discurso no qual falou sobre a ditadura. Ao fim do texto, ela disse a seguinte frase:
          E acrescento: quem dá voz à história somos cada um de nós, que no nosso cotidiano afirma, protege, respeita e amplia a democracia no nosso país.
          Você, caro leitor, achou estranha essa construção frasal? Se sim, vamos tentar entender essa estranheza.
          Gostaria de chamar atenção para a concordância do verbo “somos”. Se procurarmos em qualquer gramática, sempre vai haver uma parte específica da concordância relacionada ao verbo SER. É chamada, inclsuive, de concordância especial. E é considerada assim não só pelas inúmeras formas de concordar esse verbo, mas também pela sua “subversão” a algumas regras vigentes.
          Isso porque a regra geral de concordância verbal prevê que o verbo concorde com o sujeito da oração, como nos exemplos:
          Ela discursou.
          Eles discursaram.
          No caso do verbo SER, essa concordância pode ocorrer também entre o verbo e o predicativo do sujeito, elemento que normalmente vem depois do verbo.
          O que admiro nele são suas ideias.
          Isso são detalhes se analisarmos a história completa.
          Além dessa particularidade, o verbo SER também vai ter uma concordância especial quando se referir a pronomes pessoais (eu, tu, ele, nós, vós, eles). Sempre que aparecer na frase um desses pronomes (independentemente se for sujeito ou predicativo), o verbo vai concordar com ele.
          O problema somos nós, os humanos.
          Ah, então é essa a explicação para o discurso da Dilma? Não. Infelizmente, no discurso dela houve um probleminha de revisão. A frase correta seria quem dá voz à história é cada um de nós. O que explica essa concordância não é o uso do verbo SER nem do NÓS, mas da expressão CADA UM. Quando escrita junto de um pronome no plural, essa expressão leva o verbo para o singular.
          Cada um de nós percebeu a tristeza em seu olhar.
          Portanto, fique atento! Nem sempre a concordância está correta, ainda que pareça correta.
          Se você tiver mais alguma dúvida, mande para a gente!

Por Ana Mira
Jornal Gazeta do Povo

3 comentários:

  1. Pois é Jair, considero importante a abordagem desse assunto. Pois se apresenta de modo esclarecedor e objetivo. Me auxiliando, sancionando minhas dúvidas.

    Abraços!

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  2. Jair, bastante oportuno esse texto sobre a concordância verbal, pois algumas vezes em nosso cotidiano costumamos empregar o verbo de forma incoerente, esse texto aborda bem esse assunto, salientando dúvidas corriqueiras.

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  3. De suma importância dentro do contexto do nosso dia a dia..
    Parabéns!

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